Tag Archive: lua de sangue


Mosaico com o registro de toda a sequência do Eclipse Lunar Total de 21 de Janeiro de 2019. Lente 200mm, Câmera Canon 600D e montagem AZEQ5. A baixa resolução é devido à pequena distância focal e abertura da lente. Todo o eclipse foi transmitido no canal Astronomia ao Vivo aqui.

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Imagem da Lua durante o Eclipse Lunar de 15/04/2014. Imagem de Marcelo Domingues (Observatório Carina - Brasília-DF)

Imagem da Lua durante o Eclipse Lunar de 15/04/2014. Imagem de Marcelo Domingues (Observatório Carina – Brasília-DF)

  • O Eclipse Lunar Total de 21 de janeiro de 2018 (de Domingo para Segunda-feira) tem duração total de 05h11m30s. A fase visível do eclipse tem duração total de 03h16m45s e a totalidade tem duração total de 01h01m59s.
  • Depois de 19 anos volta a ocorrer um eclipse totalmente favorável à América (o último em 21 de janeiro de 2000). Devido a isso está sendo chamado de Eclipse Panamericano (Sérgio Sacani – Space Today); Parte Oeste da Europa e África também verão completamente a fase total do eclipse;
  • Devido à refração de parte da luz solar na atmosfera da Terra durante o eclipse, parte dela (principalmente a luz vermelha) atinge a superfície da Lua durante o fenômeno, de modo que a Lua não fica totalmente escura, mas com tons de vermelho e vermelho-ocre. A mídia sensacionalista costuma chamar o Eclipse Lunar Total de “lua de sangue”;
  • A fase de Lua Cheia é atingida às 03h16 da manhã e cerca de 15 horas após o eclipse (às 18h) a Lua atinge o seu ponto mais próximo da Terra na órbita. Esse ponto é chamado de perigeu lunar e nesse momento a Lua estará a aproximadamente 357,3 mil km da Terra (a distância média é de cerca de 384,4 mil km). Quando a diferença entre a Lua Cheia e o Perigeu é pequena, essa fase é chamada por muitos de Super Lua devido ao fato de nosso satélite natural ficar maior que a média (às 18h de 21 de janeiro a Lua estará com 33,42 arcsec de diâmetro lunar, para comparação, a média é de 31,07 arcsec). O fato de termos uma Super Lua e um Eclipse Lunar Total na mesma data, levará a mídia sensacionalista a “criar” nomes chamativos (olha o clickbait!) como: “Super Lua de Sangue”, “Super Eclipse de Sangue”, “Eclipse Total da Super Lua”, “Super Eclipse Lunar Total de Sangue”, “Lua Sangrenta e Eclipsada próxima da Terra” etc.;
  • A fase penumbral do eclipse terá início às 00h37 (horário de Brasília). Nesta fase a Lua entra na chamada Penumbra da Terra e não há nenhuma percepção visual pelo observador; às 01h35 inicia-se a fase umbral do eclipse, essa sim visível; a Lua fica completamente eclipsada a partir das 02h42 da manhã e fica assim até as 03h44; desse horário, até as 04h51, a Lua vai deixando a Umbra e voltando ao seu brilho e cor característicos;69216601-7bd2-4a7f-9325-fa4fa68ae044
  • A coloração da Lua durante o eclipse pode variar e uma das causas é a concentração de material particulado na atmosfera da Terra, principalmente aquelas emitidas por erupções vulcânicas. Como estamos em período de grande atividade de vulcões (vide Krakatoa, Anak Krakatoa, Etna, Kilauea, Volcán de Fuego, etc), espera-se uma alteração na coloração típica do nosso satélite tornando-se mais escuro que a média (ver Escala Danjon);

    Esse eclipse é totalmente favorável para observadores em qualquer local da América. Sendo chamado de "Eclipse Panamericano de 2018".

    Esse eclipse é totalmente favorável para observadores em qualquer local da América. Sendo chamado de “Eclipse Panamericano de 2018”.

  • Para observar um Eclipse Lunar Total não tem segredo algum. Basta um local seguro, com boa visada para a posição da Lua, uma cadeira (de preferência aquelas reclináveis) e uma boa companhia. Apesar de interessante observar com equipamento, não é necessário telescópio, binóculo, etc. para ver o eclipse lunar. Também não é preciso proteger a visão (ao contrário do eclipse solar onde é obrigatório o uso de filtros próprios) e não é preciso sair da cidade em busca de local mais escuro, já que a Lua pode ser perfeitamente vista mesmo em condições de extrema poluição luminosa;
  • Se quiser fotografar o eclipse, você precisará, de preferência, ou uma câmera tipo super-zoom, ou uma câmera tipo DSLR (Canon, Nikon, etc) e teleobjetiva com boa distância focal. É interessante fazer um teste horas antes para ajustar a câmera e não perder tempo no momento do fenômeno. É possível também usar telescópio e acoplar uma câmera a ele, pra isso é preciso adaptadores próprios e o importante é testar dias antes para que não se atrapalhe e perca o registro do fenômeno. Tentar fotografar com celular com baixa resolução, sem zoom e sem ajustes manuais poderá ser decepcionante; É interessante fotografar todo o eclipse com fotos intervaladas, e depois processar um vídeo com a sequência do eclipse;
  • Uma dica é procurar saber se há clube de astronomia em sua cidade. Provavelmente eles farão observação do eclipse em grupo e em evento que pode ser público e aberto a participação de qualquer pessoa. Junto a um grupo de astrônomos amadores você poderá observar em telescópios, fazer perguntas e ouvir dicas e informações sobre o eclipse e os próximos eventos astronômicos;
  • Se chover, obviamente o eclipse não poderá ser observado, mas sempre há transmissões ao vivo do evento em páginas conhecidas como NASA TV e SLOOH. No Brasil alguns canais no Youtube também farão transmissão ao vivo com comentários e bate-papo (inclusive com sorteio de brindes!). Recomendo acompanhar os canais Astronomia ao Vivo, Space Today ou Mensageiro Sideral.
  • Se por algum motivo você não puder acompanhar esse eclipse lunar, as próximas oportunidades de ver o fenômeno de maneira completa serão em 16 de maio de 2022 e 14 de março de 2025. Outros eclipses lunares poderão ser vistos do Brasil mas, ou serão eclipses parciais ou serão vistos apenas parte dele (ou a Lua se põe antes de completar o eclipse ou nasce já terminando o eclipse).

A Lua Cheia de 31/01 possui particularidades que chamam a atenção e certamente

Calma não leve a sério! A Lua não atinge esses tons de cores (infelizmente!rsrs). A definição atual de Lua Azul foi feita por astrônomos amadores, já o termo Super Lua foi definida por um astrólogo. Já o termo Lua de Sangue parece ter origem religiosa e disseminou com facilidade nas redes sociais.

Calma não leve a sério! A Lua não atinge esses tons de cores (ahh infelizmente! ). A definição atual de Lua Azul foi feita por astrônomos amadores a partir de um erro de interpretação, o termo Super Lua foi criada por um astrólogo. Já o termo Lua de Sangue parece ter origem religiosa e disseminou com facilidade nas redes sociais.

 tomará bom espaço na imprensa e nas redes sociais. São três eventos “quase” simultâneos: Lua Cheia no Perigeu, Eclipse Lunar Total e Segunda Lua Cheia no mesmo mês (Lua Azul).

Abaixo, listo características e curiosidades sobre esses eventos:

  • No dia 31/01 ocorre um eclipse lunar total, ou seja, a passagem da Lua pelo cone de sombra da Terra. Infelizmente esse evento não será visível do Brasil. O horário do máximo do eclipse é 13h30UT, 11h30 horário de Brasília. As região do globo terrestre que observarão o fenômeno são: Ásia, Oceania, Ilhas do Pacífico e Alasca.
  • Um eclipse lunar sempre ocorre, por fatores óbvios, na Lua Cheia. Neste caso uma particularidade, a Lua estará próxima ao perigeu que é ponto mais próximo na órbita lunar. À Lua Cheia no perigeu, dá-se o nome por alguns de Super Lua Cheia (e isso também vale para a Lua Nova em perigeu). A data e horário exato da passagem lunar pelo perigeu é 30/01 às 09h58 (UT), 07h58 horário de Brasília e a Lua estará a uma distância de 358 000 km com diâmetro angular de 33’16” (a média é 31’04”). Por comparação, a Lua pode atingir no apogeu (ponto mais distante), até 405 000 km de distância da Terra. Visualmente, a diferença entre um perigeu e um apogeu é em torno de 14% no diâmetro lunar e cerca de 30% no brilho. Para um observador casual uma Super Lua não difere em nada de uma Lua cheia comum.
  • 2018 já começou com uma Lua cheia em seu primeiro dia e a Lua cheia de 31/01 será, portanto, a segunda do mês de janeiro. Sempre que ocorrem duas Luas cheias no mesmo mês, à segunda dá-se o nome de Lua Azul. No hemisfério Norte existe a tradição de nomear cada Lua Cheia do Ano. À primeira Lua cheia após o início do inverno, dá-se o nome de Wolf Moon, à segunda, normalmente em fevereiro dá-se o nome de Snow Moon. Dessa vez a Wolf Moon e a Snow Moon estão em janeiro.
  • Em 2018 não haverá Lua Cheia no mês de fevereiro. Isso ocorre a cada 19 anos. Ocorreu a última vez em 1999 e anteriormente em 1980. A próxima vez que ocorrer será em fevereiro de 2037 (isso é verdade para a maior parte da Terra, em alguns locais como o leste da Ásia e leste da Austrália a Lua Cheia se dá em 01/02).
  • Duas Luas Cheias em um mesmo mês ocorrem, em média, a cada 2,72 anos. As anteriores ocorreram em novembro de 2010, agosto de 2013, maio de 2016. Em 2018 (e depois só em 2037) há uma exceção que são duas Luas Azuis no mesmo ano (em Janeiro e em Março).
  • A duração da fase total do eclipse será de 1h16min; do início da fase umbral (U1) até o fim da fase umbral (U4) será de 3h23min; e do início da fase penumbral (P1) até o fim da fase penumbral (P4) será de 5h17min.
  • Sites, e páginas sensacionalistas tendem a chamar o Eclipse Lunar Total de “Lua de Sangue”. De fato a cor da Lua, durante o fenômeno, varia de um marro-acinzentado a um vermelho intenso. Isso ocorre devido ao maior desvio dos comprimentos de onda de luz próximos do vermelho, que ocorre na atmosfera terrestre, e que se desviam para dentro do cone de sombra da Terra, atingindo a superfície lunar durante o eclipse. O público leigo tende a ser atraído por títulos do tipo “Vem aí a Super Lua de Sangue”, ou “Super Lua Azul também será Lua de Sangue”, etc.
  • Algumas páginas têm noticiado que será um evento muito raro. Segundo o que o astrônomo amador Alexandre Amorim informou em sua página do Facebook em 10/01/18, um eclipse lunar total da “Lua Azul” e próxima ao perigeu não é tão raro assim. De 1982 a 2037 (55 anos) ocorrerão três eclipses lunares totais com “Lua Azul” próxima ao perigeu: 30/12/1982, 31/01/2018 e 31/01/2037.
  • O termo “Lua Azul” (Blue Moon) hoje é dado à segunda Lua Cheia em um mesmo mês. Mas há outra definição mais antiga para esse termo. Há décadas atrás a definição usada no Maine Farmers’ Almanac era a que de a Lua Azul seria a terceira Lua cheia de uma estação que tivesse quatro Luas cheias (normalmente há apenas três). Isso era necessário para se manter a tradicional nomenclatura das luas cheias ao longo do ano (Wolf Moon, Strawberry Moon, Harvest Moon, etc). Mas em um artigo da Sky & Telescope de 1946, o astrônomo amador James Hugh Pruett (1886-1955) fez uma suposição incorreta sobre como essas “luas extras” são nomeadas como sendo a segunda Lua Cheia de um mês. Por muito tempo o novo termo acabou esquecido, até que ressurgiu em 1980 durante uma transmissão de rádio durante o programa Star Date que usou como fonte o artigo de Pruett de 1946.
  • Este quadro da Sky & Telescope mostra a diferença de datas entre as “Luas Azuis” com a antiga definição e as “Luas Azuis” com a definição moderna. Nota-se que no ano em que um tipo ocorre, não ocorre o outro (ao menos no período mostrado).
  • Ao contrário do que parece, a Lua Cheia não é o melhor momento para se observar detalhes da superfície lunar (como crateras, mares, rimas, vales, cadeias de montanhas, etc) com auxílio de telescópios, lunetas ou binóculos, . Durante a Lua Cheia, do ponto de vista de um observador na Terra, não se vê sombras projetadas na superfície lunar, o que dificulta a observação de detalhes e sinuosidades.
  • A ocorrência de uma Lua Cheia de apogeu (“minilua” ou “microlua”) seis meses antes ou depois de uma Lua Cheia de perigeu é normal. Em 2018 temos, portanto, a Lua Cheia de Perigeu (Super Lua) de 31 de janeiro em contraposição à Lua Cheia de Apogeu (Mini Lua) de 27 de junho. Como recomenda o Anuário Astronômico Catarinense (página 173), é interessante fotografar as duas Luas Cheias indicadas, com o mesmo equipamento e configuração (aumento, distância focal, abertura, etc) para comparação dos tamanhos angulares aparentes.
  • Em março haverá também uma segunda Lua Cheia. A primeira em 01/03 e a segunda em 31/03). Porém está não estará no perigeu e muito menos eclipsada.
  • Se o tempo colaborar, você pode acompanhar uma transmissão ao vivo (hangout) no canal Astronomia ao Vivo no youtube na noite do dia 31/01. Se inscreva no canal. Você pode também acompanhar a transmissão do Eclipse Lunar Total na página Slooh.com a partir das 8h45 (horário de Brasília). A fase total deve começar às 10h51 (horário de Brasília).

Fontes: