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Lua a poucas horas do Quarto Crescente às 21h40 de 20/09/2015. Telescópio Apocromático SW Esprit 100mm com redutor William Optics 0,75x e Câmera ZWO ASI120MC. 100 melhores frames de 500. Captura SharpCap, processamento Registax.

Lua a poucas horas do Quarto Crescente às 21h40 de 20/09/2015. Telescópio Apocromático SW Esprit 100mm com redutor William Optics 0,75x e Câmera ZWO ASI120MC. 100 melhores frames de 500. Captura SharpCap, processamento Registax.

O Eclipse Lunar Total da noite de 27/09 será visível totalmente de qualquer parte do Brasil. Se na sua região estiver nublado o grupo Astronomia ao Vivo fará transmissão do evento, durante a transmissão o grupo debate o fenômeno e trás várias informações sobre eclipses.

Faixa de visibilidade do eclipse é a parte mais clara do mapa. Note o Brasil em condições de visibilidade de todas as etapas do eclipse.

Faixa de visibilidade do eclipse é a parte mais clara do mapa. Note o Brasil em condições de visibilidade de todas as etapas do eclipse. Fonte: NASA.

Não é necessário binóculo, telescópio ou outro equipamento para ver um Eclipse Lunar. Basta um local com boa visibilidade do céu, uma cadeira reclinável e apreciar a olho nu um dos mais belos fenômenos celestes.

Eclipses lunares possuem duas fases, a penumbral e a umbral. A fase penumbral não é perceptível a olho nu. No eclipse de 27/09 ela começa às 21h11. A fase umbral desse eclipse terá início às 22h07 com duração de 3h19min. O Eclipse inteiro terá uma duração total de 5h11min.

Trajetória da Lua ao atravessar a sombra da Terra. A parte cinza é a penumbral (não perceptível) e a parte vermelha é a umbra. A Lua ficará totalmente dentro da umbra por 1h11min.

Trajetória da Lua ao atravessar a sombra da Terra. A parte cinza é a penumbral (não perceptível) e a parte vermelha é a umbra. A Lua ficará totalmente dentro da umbra por 1h11.

A fase de totalidade do Eclipse Lunar é aquela em que a Lua está totalmente imersa na sombra (umbra) da Terra. Durante o eclipse de 27/09 essa fase terá duração de 1h11. A totalidade começa às 23h11.

Super Lua

Quando a Lua está no Perigeu (menor distância da Terra) e está também na fase de Lua Cheia, chamamos ela de Super Lua. Em 27/09 ocorre a maior Super Lua de 2015, justamente durante o Eclipse Lunar Total. Chamamos esse eclipse de Eclipse Lunar Total da Super Lua, como ela ocorre durante uma tétrade lunar então podemos ainda chamá-la incrivelmente (rsrs) de Eclipse da Super Lua em Tétrade Lunar.

Agora atenção a isso: O último Eclipse Lunar Total de Super Lua totalmente visível do Brasil ocorreu em 16 de maio de 2003 e o próximo (também totalmente visível do Brasil) será em 21 de Janeiro de 2019. O último Eclipse de Super Lua em Tétrade Lunar, com perigeu ocorrendo durante o eclipse e visível do Brasil foi em 17 de novembro de 1910 e o próximo, nas mesmas condições ocorrerá somente em 30 de agosto de 2156. Esses dois últimos eclipses citados e o eclipse de 27/09/2015 ainda guardam outra coincidência, os três são os últimos eclipses das tétrades que pertencem.

Em 27/09, o perigeu será atingido pela Lua às 22h47, em pleno eclipse e nosso satélite natural estará nesse momento a uma distância de 356.876 km da Terra. Uma Super Lua pode ficar com diâmetro angular até 15% maior e 30% mais brilhante que uma Lua Cheia no Apogeu (Mini Lua).

A distância temporal entre os instantes do perigeu e da fase de cheia é de pouco mais de uma hora, essa é a menor distância entre os dois eventos durante um eclipse lunar total nos séculos XX e XXI.

Mais curiosidades

O termo astronômico usado para a expressão popular “Super Lua” é Perigeu-Sizígia.

O Termo Super Lua é creditada ao astrólogo (sim astrólogo!) Richard Nolle em 1979 que definiu o termo ao alinhamento Sol-Terra-Lua com a Lua no perigeu ou apogeu com a tolerância de erro de até 90% da subtração das distâncias do apogeu e perigeu. Complicado né?

Um eclipse lunar total comum não é tão raro, e pode ser visto de um certo ponto qualquer da Terra, em média, a cada 2,5 anos.

Durante o eclipse a Lua não desaparece, ela é vista com cor de tijolo, levemente avermelhada devido à luz que atravessa as camadas da atmosfera da Terra e se desviam para dentro da umbra. A principal luz que se desvia nessa direção é a luz vermelha que, no momento do eclipse, atinge a superfície lunar. Esse efeito ondulatório/óptico é chamado de dispersão de Rayleigh.

Durante o eclipse a Lua estará na constelação de Peixes. (Bom isso não é nada demais, rsrs)

Uma curiosidade interessante sobre eclipses lunares é a variação de temperatura durante um ecipse lunar total. A temperatura da superfície lunar durante a Lua Cheia pode chegar à 97°C e assim que entra na sombra da Terra ela cai rapidamente para apenas -93°C, um variação de 190 graus!

Sendo esse um eclipse em pleno momento do perigeu (o menor perigeu do ano), teremos portanto um dia de “maré de perigeu” ou “maré-viva” ou “supermaré” ou ainda “maré sizígia”, que é uma maré maior que a comum devido à menor distância da Lua à Terra. Por ser em período de equinócio ela é chamada de “supermaré equinocial”, e essas costumam ser as mais fortes do período anual. Essa maré, em alguns lugares, pode ser cerca de 15 cm mais alta que as marés normais.

Existe a expectativa de que esse eclipse seja mais escuro que o esperado devido aos aerossóis na atmosfera provenientes da erupção do vulcão Calbuco do Chile.

Durante o eclipse a Lua vai ocultar algumas estrelas de magnitudes entre 6 e 9. Os destaques são: ocultação da estrela SAO 109078 de magnitude 6,8 às 20h57 (antes do início do eclipse) e emersão às 22h08 (logo após o início da fase visível do eclipse, umbral); ocultação da estrela SAO 109101 de magnitude 7,0 com imersão às 22h48 e emersão às 00h08; ocultação da estrela SAO 109119 de magnitude 6,2 com imersão às 23h30 e emersão às 00h14.

Sequência de eventos durante o Eclipse Lunar Total (horários de Brasília):

P1 – Contato com a penumbra (não visível)- 21h11

U1 – Contato com a umbra (inicia a entrada na umbra) – 22h07

Em – Emersão da estrela SAO 109078 (Mag. 6,8) – 22h08

Lua atinge o Perigeu (356 876km) – 22h47

Im – Imersão da estrela SAO 109101 (Mag. 7,0) – 22h48

U2 – Início da totalidade – 23h11

Máximo do eclipse – 23h47

Lua Cheia – 23h50

Im – Imersão da estrela SAO 109119 (Mag. 6,2) – 23h30

Em – Emersão da estrela SAO 109101 (Mag. 7,0) – 00h08

Em – Emersão da estrela SAO 109119 (Mag. 6,2) – 00h14

U3 – Fim da totalidade – 00h23

U4 – Saída da umbra (a partir daqui termina a visibilidade do eclipse) – 01h27

P4 – Saída da penumbra – 02h22

Observação: os horários das imersões e emersões de estrelas no limbo lunar referem-se a um observador em Londrina-PR).

Tétrades Lunares

O eclipse lunar de 27/09/15 será o quarto e último eclipse de uma tétrade. Uma tétrade é um conjunto de quatro eclipses lunares totais consecutivos (lembre-se que existem também os eclipses parciais).

Os três eclipses anteriores dessa tétrade ocorreram em 15/04/14, 08/10/14, 04/04/15.

Sequência de datas de eclipses lunares, estre eles a tétrade de 2014-2015. Fonte: NASA.

Sequência de datas de eclipses lunares, estre eles a tétrade de 2014-2015. Fonte: NASA.

No século XXI ocorrerão 8 tétrades lunares. Uma já aconteceu (2003-2004), uma está terminando e mais 6 ocorrerão futuramente. A próxima tétrade ocorre em 2032-3033. 8 tétrades é o número máximo que pode ocorrer em um século, a última vez que isso aconteceu foi no século IX.

Giovanni Schiaparelli calculou que as tétrades ocorrem por 300 anos e por mais 300 anos deixam de ocorrer. Nos séculos XVII, XVIII e XIX não ocorreram tétrades.  Nos séculos XX, XXI e XXII ocorrerão 17 tétrades lunares.

Esse eclipse ocorre durante a primeira Lua Cheia da Primavera aqui no hemisfério Sul. No hemisfério essa primeira Lua Cheia após o equinócio de Setembro é chamada de Harvest Moon. Então este eclipse será o Eclipse Lunar Total da Super Harvest Moon.

Próximos Eclipses

Os próximos Eclipses Lunares Totais observáveis do Brasil ocorrem em 27 de Julho de 2018 e em 21 de Janeiro de 2019. No eclipse de Julho de 2018, a Lua já nasce totalmente eclipsada e o eclipse de Janeiro de 2019 será plenamente visto assim como o de 27/09/15.

Blood Moon, a Lua Sangrenta

Nos últimos anos tem-se propagado a expressão Lua de Sangue à Lua eclipsada.
Pode-se pensar à princípio que talvez sua cor avermelhada tenha dado origem ao nome, mas vejamos duas histórias que podem ter iniciado o uso atual da expressão.

Festas Judaicas e as tétrades lunares:
Os pastores Blitz e Hagee chamaram a atenção sobre a sequência de eclipses que se iniciava em 2014 em um livro publicado em 2013 chamado Four Blood Moons: Os eclipses dessa tétrade coincidem com importantes festas judaicas. Os eclipses de Abril de 2014 e Abril de 2015 coincidem com a Páscoa, enquanto que os eclipses de Outubro de 2014 e Setembro de 2015 ocorrem durante a Festa dos Tabernáculos. Para eles tétrades de tempos passados que também coincidem com essas datas festivas estão associados a eventos históricos para a humanidade. Algumas pessoas tomaram essa coincidência de datas como um sinal de que esta poderia ser a última tétrade, o fim dos tempos.
Os dados de eclipses passados ​​mostram que pelo menos oito tétrades lunares coincidiram com feriados judaicos desde o primeiro século.
O calendário judaico é um calendário lunar e a Páscoa sempre ocorre próximo a uma Lua Cheia. Eclipses lunares totais só podem ocorrer em uma noite de Lua Cheia, é muito provável que um eclipse ocorra na Páscoa ou perto dela.

Harvest Moon e Hunter’s Moon:

A primeira Lua Cheia após o equinócio de Setembro é chamada de Harvest Moon em algumas culturas do Hemisfério Norte. A Lua Cheia seguinte de Outubro, é chamada de Hunters’s Moon. Essas Luas possuem uma característica peculiar nas regiões de altas Latitudes do hemisfério Norte: normalmente a Lua nasce 50 minutos mais tarde a cada noite. Porém nessa época do ano, devido à posição da Lua em relação à eclíptica a Lua nasce apenas cerca de 30 minutos mais tarde. Nessa época a noite fica mais tempo iluminada com a Luz do luar, o que justifica a saída para a caça e término da colheita, a fim de se preparar para o inverno que estava pra chegar. Nesse período, devido à sua trajetória no céu, fica mais tempo próximo ao horizonte, e a Lua vista próxima ao horizonte é mais avermelhada. A Harvest Moon também é chamada de Blood Moon.

Fontes:

NASA, Space.com, Universe Today, The Old Farmer’s Almanac, Timeanddate.com, CalSky.com

Journal: Publications of the Astronomical Society of the Pacific, Vol. 72, No. 429, p.481; Title: Enhanced Lunar Thermal Radiation During a Lunar Eclipse; Authors: Shorthill, R. W., Borough, H. C., & Conley, J. M.

Informativo Observacional do NEOA-JBS, http://www.geocities.ws/costeira1/07-2015.pdf acessado em 26/09/2015; http://www.geocities.ws/costeira1/art/eclipse_20150926.pdf acessado em 26/09/2015.

Imagem da Lua Cheia de 29 de agosto de 2015. Imagem feita com telescópio apocromático 100mm e câmera ASI120MC. Duas tomadas, 50 melhores frames de 500 cada. Empilhado no Registax 6, mosaico montado no Photomerge.

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A segunda imagem foi feita com lente Nikon Nikkor 180mm ED e a câmera ASI120MC. Registax e PS.

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Região pouco fotografada, a nebulosidade no centro da imagem é Sh2-54 e a nebulosa brilhante dentro dela é Gum-85, e o seu anel mais escuro é Gum-84, justos formam a nebulosa “nested egg”. O aglomerado aberto contido nessa região é NGC6604. A distância é de cerca de 5000 anos-luz. Na esquerda pode-se ver a famosa nebulosa da águia M16 (superexposta). Essa imagem foi feita durante o 8ºEBA – Encontro Brasileiro de Astrofotografia em Padre Bernardo-GO, no dia 15/07/15. Equipamento: NEQ6; Lente 180mm ED; câmera QHY9S-M; filtro H-alpha 7nm; Captura: 10 frames de 20min cada. Processamento: DSS, PS. http://www.astrobin.com/206938/

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Lua cerca de 1 dia após o quarto crescente.  Tomada única, sem mosaico usando um telescópio apocromático com redutor (412 mm de distância focal) e câmera ASI120MC. O vídeo dessa imagem foi feito durante o programa Astronomia ao Vivo #96 de 23/08/15. Processado com o programa Registax, 50 melhores frames de 500. Esse foi um teste para o registro do Eclipse Lunar Total que ocorre daqui um mês (em 27/09/15). O grupo GEDAL estará observando em Londrina e o grupo Astronomia ao Vivo transmitirá o evento ao vivo.

http://www.astrobin.com/205909/

Capture 23_08_2015T21_33_262_PS

Região do Cinturão de Orion. Primeira vez unindo imagem h-alpha da ccd QHY com imagem color da Canon T3i no Fitswork4. Color Canon T3i 60x40seg. (Jan/2014) + H-alpha 2x600seg. (EBA/2015)
http://www.astrobin.com/200843/

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Trio de Sagitário. M8 – Nebulosa da Lagoa (à esquerda) e M20 (Nebulosa Trífida (à direita) e NGC 6559 (acima de M8).

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Imagem da região próxima da estrela Gamma Cygni (Sadr) na constelação do Cisne. No centro, Propeller Nebula e embaixo à esquerda NGC 6914. A imagem foi captada na última noite do 8º EBA – Encontro Brasileiro de Astrofotografia em Padre Bernardo – GO, na madrugada de 18/07/15. Foram 8 frames de 1200 segundos cada. Filtro h-alpha, lente Nikkor 180mm 2.8 ED @f/4, câmera QHY9S-M, montagem NEQ6. Programa de captura EZCAP, empilhamento DeepSky Stacker, processamento Photoshop. Guiagem com PHD2. Câmera de Guiagem ASI120MC e lente de guiagem Miniguide Orion 8×50.

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Imagem da bela e rica região da estrela Sadr na constelação de Cisne, IC1318. A imagem mostra à direita no alto a nebulosa Crescente (NGC 6888) e muitas nebulosas de reflexão e nebulosas escuras. Imagem em h-alpha, lente 180mm, câmera QHY9S-M. 7 frames de 1200 segundos cada. Imagem captada durante o 8º EBA- Encontro Brasileiro de Astrofotografia em Padre Bernardo-GO na madrugada do dia 17 de julho de 2015.

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Imagem em h-alpha feita em Padre Bernardo-GO durante o 8º Encontro Brasileiro de Astrofotografia. 2 x 600 min. Filtro h-alpha, lente 180mm ED, câmera QHY9S-M.

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