Category: Telescópios


Primeiras impressões

Meu grande sonho desde que comecei a estudar sobre equipamentos para astrofotografia era adquirir um refrator apocromático. Apesar do alto custo, a durabilidade, a baixa necessidade de manutenção, estabilidade da imagem, facilidade de transporte e principalmente, os resultados práticos que observo entre os amadores, me fizeram a muito tempo tomar a decisão de investir nesse tipo de equipamento para astrofotografia.

Fiz a compra na pré-venda o que me garantiu um preço razoável. O valor subiu consideravelmente
depois.

Assim que chegou confesso que esperava uma caixa maior, mas assim que comecei a desembalá-lo essa pequena decepção acabou.  A primeira surpresa boa foi o case: eu já sabia que os Esprit são fornecidos com dois cases diferentes. Uma maleta de alumínio e uma caixa preta mais robusta. Veio a melhor! Excelente! Não se pode esperar algo melhor de uma caixa para armazenar um telescópio. Além da beleza do acabamento ele passa a impressão de robustez e durabilidade. Possui duas fechaduras giratórias com fecho para cadeados, três alças nas laterais para transporte. Todas as arestas e quinas são revestidas com chapas e cantoneiras metálicas. Transportar na mão à longa distância não é tarefa tão fácil pois todo o conjunto deve pesar mais de 20kg!
É possível adaptar rodinhas ou comprar um pequeno carrinho com rodinhas pra facilitar. Ele cabe facilmente no banco traseiro de um carro popular ou no porta malas de um carro hatch.

Ao abrir a primeira coisa que me chamou a atenção surpreendentemente não foi o telescópio em si. Mas o sistema de amortecimento do OTA usando bolas de tênis e bolas de borracha cravadas nas laterais e tampa! Não tinha visto isso em outros reviews na internet e me foi uma surpresa feliz.O OTA vem suspenso nessas bolinhas e aparentemente amortece muito bem dos possíveis impactos no case. É nítida a preocupação do fabricante de que o ota chegue são e salvo às mãos do cliente.

Fui primeiramente desembalando os acessórios. A buscadora de 8X50 vem com diagonal 90° eretora e vem dentro daqueles tradicionais sistemas com três parafusos de fixação em um par de anéis muito usados em telescópio de guiagem. A não ser pela diagonal, o corpo da buscadora é bem parecida (senão idêntica) às buscadoras da Orion (incluido o Miniguide) e as buscadoras da GSO de mesmo tamanho.

A diagonal dielétrica de 2 polegadas possui um acabamento igual ao do focalizador, um preto esmaltado brilhante muito bonito. Tá dó de encher ele de digitais ao pegar com as mãos…rsrs. Um paninho pra limpar é necessária aos mais cuidadosos. Ela possui adaptador 1,25″ como deve ser.

Entre os acessórios vieram aplanador de campo (próprio desse modelo), duas abraçadeiras e um dovetail Losmandy curto, adaptador para o aplanador de campo e adaptador para câmeras Canon (inesperado esse! rsrs). No site da Sky-Watcher entre os itens está uma ocular LET 2″ de 28mm que não veio. Já tinha visto nos fóruns internacionais que alguns acessórios poderiam variar em diferentes países.

Por último foi a vez de retirar o OTA da caixa. Bem pesado, segundo o site da SW 6,3Kg. O telescópio é lindo! Pintura branca (automotiva?) do tubo e focalizador preto esmaltado muito brilhante. O dew shield possui dois parafusos manuais e ele parece comprido o suficiente. Estendido, deixa o telescópio muito imponente. A princípio não gostei do atrito ao estendê-lo. Parece que com o tempo pode deixar marcas no OTA. O focalizador não é só bonito, é robusto e passa a impressão de segurança. Possui uma trava pequena na forma de alavanca e não percebi nenhum “jogo” na mecânica, como deve ser. Possui micro-redução 11:1 e um LPF de 3″ com marcação do extensor do focalizador.

Logo em seguida já quis montar ele em cima da NEQ6. Ficou imponente o conjunto e fácil de manusear depois de balaceado. Rosquear, atarrachar, desatarrachar, prender e soltar, os encaixes são ótimos e fáceis. Retirar a diagonal e substituir pelo adaptador para dslr foi bem intuitivo e rápido.

O Esprit 100ED APO Triplet possui distância focal de 550mm (f/5,5), suficiente pra fotografar M20 completa e talvez até M8 no mesmo campo, ou ainda M42 e M43 juntas com sobra, ou ainda a Galáxia de Andrômeda praticamente inteira usando uma Dslr (no meu caso T3i).

Agora é aguardar uma boa noite pra colocá-lo pra trabalhar.

Eu, Renan e Saulo (e o Ian), com o GSO12″ sobre a NEQ6Pro SyntrekImage. Ok, ok, é muito peso, eu sei… é provável que essa montagem ganhe um Ritchey-Chrétien ainda esse ano (pra desespero da esposa…hehehe).

Ao retirar o telescópio do seu quarto ou sala e colocá-lo lá fora, ao ar livre, a diferença de temperatura vai gerar correntes convectivas no interior do tubo, que degradam a imagem dos objetos. O ar mais quente sobe, o ar mais frio desce (correntes térmicas), seus índices de refração são diferentes, a imagem fica prejudicada.

Montar o telescópio a céu aberto algum tempo antes de começar a usá-lo é uma boa. Em uma ou duas horas ele estará aclimatado e pronto para seu melhor desempenho. Telescópios como meu 12″ vêm com uma ventoinha (cooler) acoplado sob a célula do espelho primário. Ela joga ar do ambiente no espelho e na parte interna do tubo a fim de reduzir as correntes térmicas devido ao equilíbrio térmico.

Como se pode ver nas primeiras imagens abaixo, a parte inferior do OTA é bem aberta, de forma que a corrente de ar gerada pela ventoinha não é totalmente direcionada para dentro do tubo. Assim, resolvi construir uma espécie de tampa para direcionar o ar. Usei simplesmente EVA preto, uns cortes nos lugares certos e pronto. O resultado esta nas fotos abaixo. Acho que ficou bom.

Alguns astrônomos amadores, em fóruns pela internet, têm descrito uma diferença grande nas imagens, com o uso dessa vedação e de uma espécie de anel defletor (ring baffle) colocado no interior do tubo, pouco acima do espelho primário, que rebate o fluxo de ar para o espelho e para a região central do tubo.

Se perceber que realmente faz diferença, vou colar velcro nas extremidades pra ficar melhor vedado, e depois pensar seriamente em instalar o tal anel defletor (terei de desmontar o primário do tubo pra isso).

Em maio de 2010, fiz o primeiro grande investimento de um projeto que ainda levará alguns anos pra ficar pronto. Quando chegou fiz várias fotos do GSO 12″ durante sua montagem, e só agora percebi que não tinha postado elas aqui neste blog. Só que o HD onde ficavam alguns arquivos de mídia queimou a um ano atrás e perdi muitas fotos (fotos familiares inclusive). O que restou do dia da chegada desse telescópio, foi o que encontrei em meu perfil no facebook e posto abaixo:

Nesse mês de novembro teremos duas edições do Ciclo de Observações Lunares de 2011, uma aconteceu no dia 3/11 e a outra está prevista para o dia 30/11. Como sempre, montamos telescópios no pátio do RU da UEL para apreciar a Lua. Desta vez também pudemos dar uma espiada em Júpiter.

Abaixo as poucas fotos:

Durante as observações astronômicas públicas em que participo surgem muitas perguntas e afirmações do pessoal, que na maioria das vezes, está observando através de um telescópio pela primeira vez. Algumas extremamente inteligentes outras nem tanto. Dentre elas algumas a gente ri (por dentro), disfarça e responde como pode, outras, a gente responde com prazer. Ah, e tem aquelas que a gente pensa…, pensa mais um pouco, até dizer… – Olha, não sei te responder…

Universitário empolgado com o que acabou de ver no telescópio.

Uma das afirmações que mais fazem durante a observação da Lua é:

– “Olha! Estou vendo a bandeira dos Estados Unidos!” – ou então – “Estou vendo a pegada do Louis Armstrong” (trocar o Neil pelo famoso jazzista é mais que normal!).

A afirmação pode parecer ridícula, mas já me fez pensar muito sobre o assunto. Outra questão conspiracionista corriqueira é:

– Por que a NASA não aponta o Hubble pra Lua?!? Por que não apontam o maior telescópio da Terra pra Lua e mostram a bandeira dos americanos?!?

Foi participando da comunidade “Astronomia!” do Orkut (que entre os anos de 2006 e 2009), que descobri um artigo do site Amateur Astronomer’s Notebook, explicando a dificuldade de ver a bandeira ou qualquer outra prova da presença americana na Lua. Em dois ou mais posts vamos discutir o assunto, simplificando e adaptando o texto para nossos padrões de medida. Neste primeiro post vamos falar sobre o que o autor do artigo chama de “Método das Proporções”.

Hoje o maior telescópio de espelho único da Terra em operação é o Subaru, com 8,2 metros de diâmetro, e está instalado no Mauna Kea, Havaí. Já o maior telescópio com espelhos segmentados (múltiplos espelhos) é o Large Binocular Telescope que tem dois conjuntos com 8,4 metros cada e que trabalhando juntos têm a mesma capacidade de captação de luz de um bloco único de 11,8 metros.

À esquerda o Large Binocular Telescope (Arizona, EUA), e à direita o Subaru (Mauna Kea, Havaí, EUA)

Seriam estes telescópios suficientes para observar a bandeira americana na superfície lunar?

Primeiramente para sua (nossa!) decepção, me permita já dizer que a resposta será: É impossível vê-la como os telescópios existentes na Terra.  Mesmo que o tamanho teórico do telescópio seja suficiente ainda temos a questão da atmosfera terrestre que nunca está estável suficiente para uma imagem perfeita, mesmo com a tecnologia atual da “óptica adaptativa”. Porém, para esta análise, vamos supor uma condição ideal em que a atmosfera se comporte como se ela não existisse para um telescópio terrestre, e que o espelho construído tenha total qualidade na resolução dos comprimentos de onda, suficiente para a observação dos detalhes em questão.

Uma coisa é perceber a bandeira, outra coisa é observar seus detalhes (como por exemplo, as faixas vermelhas e brancas). Qual deveria ser o tamanho de um telescópio para visualizarmos a bandeira como um pequeno ponto?

O diâmetro da Lua é de 3476 km, é vista com 30 minutos de arco da Terra. Cada quilômetro de seu diâmetro corresponde a 0,58 segundos de arco.

O diâmetro da Lua é de aproximadamente 3 476 km, está a uma distância média de 384 400 km e observada da Terra tem um tamanho angular de 30 minutos de arco. Como cada minuto de arco possui 60 segundos de arco, então a Lua possui 30 x 60 = 1800 segundos de arco. Ok, a pergunta agora é: se temos 1800 segundos de arco e a Lua tem 3 476 km, quantos segundos de arco correspondem cada quilômetro do diâmetro lunar? Uma regra de três simples mostra que o valor é 0,58 segundos de arco.

Agora, qual é o tamanho da bandeira? Olhando as fotos dos astronautas ao lado da bandeira, estimo seu tamanho em 1 metro de comprimento por 1 metro de largura. 1 metro é igual a 0,001 km. Se 1 km corresponde a 0,58 segundos de arco, quanto corresponderá 0,001 km? Outra regra de três simples mostrará que o valor é de 0,58 x 0,001 = 0,00058 segundos de arco. Este é o valor que um telescópio deve ter o poder de observar para “perceber” a bandeira como um ponto.

Há aproximadamente 150 anos atrás o astrônomo inglês William Rutter Dawes descobriu a fórmula que relaciona o diâmetro de um telescópio e seu poder máximo de  resolução. A fórmula é:  R = 11,6/D, ou seja, a resolução é igual  a 11,6 dividido pelo diâmetro (em centímetros). Reorganizando a fórmula podemos também dizer: o diâmetro do espelho (em centímetros) é 11,6 dividido pela resolução que ser quer alcançar.

Queremos uma resolução de 0,00058 segundos de arco, portanto, ao colocar esse valor na fórmula chegamos a um espelho de 20 mil centímetros, que dá 200 metros!!! Um telescópio com espelho de 200 metros apenas para ver a bandeira como um ponto mínimo!

William Rutter Dawes, astrônomo inglês, descobriu a relação entre o tamanho da objetiva e seu poder de resolução. R = 11,6/D (D em centímetros e R em arcosegundos)

Só que para ter certeza de que a bandeira não foi fincada por algum ET e que ela é realmente americana, precisamos vê-la em melhores detalhes. Ela tem 13 faixas intercaladas entre branco e vermelho. Para uma bandeira de 1 metro de largura dará aproximadamente 8 centímetros de largura para cada faixa. Ver essas faixas seria o suficiente para identificar a bandeira.  Usando o mesmo método acima, mas substituindo a largura da bandeira (0,001 km) pela largura das faixas contidas nela (0,00008 km) teremos: 0,58 x 0,00008 = 0,0000464 segundos de arco; D= 11,6/0,0000464 = 250 0000 centímetros. Isso significa que seria necessário construir um telescópio com espelho de 2,5 quilômetros de diâmetro para afirmar que a bandeira está lá mesmo! (Isso se nosso planeta não tivesse atmosfera nem poluição luminosa para atrapalhar!)

Observação: considera-se que o plano da bandeira esteja perpendicular à visada do telescópio. Não estando assim (se certamente não está), a observação é mais difícil ainda.

Chegou meu novo telescópio, um Maksutov-Cassegrain 90mm da Skywatcher em montagem EQ1 que pretendo motorizar. Ele foi comprado no Armazém do Telescópio. As fotos abaixo mostram a sequência de montagem assim que chegou em casa. No dia seguinte tentei algumas fotos  terrestres com uma Sony H5 que não é apropriada para fotografias em telescópio, o resultado está no fim o álbum, os alvos estavam a 1,5 Km de distância.

Ele será útil nas observações em que não é necessário grande abertura (observações da Lua e do Sol, muitas vezes também em Júpiter e até mesmo Saturno), isso me economizará esforço e não pecisar montar o Gso 12″ que é um monstro de enorme e pesado. Com uma montagem equatorial mesmo que pequeno, ele receberá uma motorização de eixo simples. E em breve com a compra de uma webcam apropriada, vamos começar na tentativa de fazer astrofotografias.