Category: equipamento


Um dos maus da astrofotografia de céu profundo é que pra cada equipamento vai pelo menos um fio: montagem dois cabos, 2 dew heathers dois cabos, câmera dois cabos, guiagem um cabo, fora a fontes e notebook… pra quem não tem (ainda) um observatório fixo como eu, levo mais tempo pra ajustar e plugar tudo do que enquadrar e começar a fotografar. E  olha que ainda faltam mais umas parafernálias pra complementar o setup.

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Comprada desde novembro, no início do ano chegou finalmente minha tão esperada câmera dedicada, uma QHY9S-M adquirida no representante brasileiro da QHYCCD, a tellescopio.com. Essa câmera permite controlar a temperatura do sensor em até 50 graus abaixo da temperatura ambiente, o que reduz muito o ruído da imagem.

Desde que comecei a fotografar objetos de céu profundo descobri que a poluição luminosa seria um problema sério se eu quisesse melhorar a qualidade das imagens, isso me fez decidir que, assim que pudesse, partiria para imagens de banda estreita. Até então, minhas imagens eram feitas com câmera Dslr não modificada, com um filtro nativo que não deixa captar justamente a melhor emissão para a astrofotografia de nebulosas, a emissão alpha do Hidrogênio (que é o átomo mais abundante no universo). A nova câmera não tem esse problema e melhor, é possível, com o uso de filtros adequados, os chamados filtros da banda estreita, selecionar os comprimentos de onda desejados, rejeitando a luz inconveniente da cidade (comprimentos de onda do mercúrio e do sódio emitidas pelas lâmpadas). Os filtros mais usados para banda estreita são os do Hidrogênio, do Oxigênio e do Enxofre, os quais podem ser processados juntos para formar uma imagem em cores falsas.

O método de enquadramento, captura e foco com a nova câmera são totalmente diferentes e trata-se, portanto, de um novo caminho e aprendizado na astrofotografia. Um setup para esse tipo de fotografia não é barato mas é o único jeito para fazer registros em região urbana com a melhor qualidade possível.

Em fevereiro comprei o filtro h-alpha Baader 7nm de 1.25″ pra usar a câmera com a lente Nikon Nikkor 180mm ED Ai-S. A ideia é comprar, quando eu puder, filtros da Astrodon de 5 ou 3nm, só que os preços são de assustar e vai ficar pra daqui um tempinho ainda. Adquiri também um adaptador da Geoptik que possibilita acoplar a lente fotográfica na ccd e possui rosca para incluir filtros de 1.25″ nele.

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QHY9M+adaptador Geoptik+lente Nikkor 180 ED + anéis ADM. Conjunto montado sobre o telescópio Esprit APO100mm e NEQ6. O filtro h-alpha vai rosqueado no adaptador.

A foto acima mostra o conjunto montado. Com essa configuração consigo uma imagem com campo de aproximadamente 5,7°x 4,3° (caberiam umas 90 luas cheias nesse campo!) e com resolução de cerca de 6″/pixel. Acredito que a lente, pelo menos durante esse ano, será mais usada que o telescópio.

Desde o início do ano o céu não tem colaborado e são raras as noites realmente limpas e com transparência mínima para astrofotografia. A temporada anual para astrofotos aqui para o norte do Paraná vai mais ou menos de abril até setembro ou outubro. Fora desse período, um noite de céu limpo tem de ser aproveitado.

Na noite de 24 para 25 de março finalmente o céu ofereceu excelentes condições e pude enfim montar a parafernália no quintal para uma noite de capturas. Tudo ia bem, montagem ok, câmera e lente ok, mas o PHD Guiding resolveu dar pau e não funcionou de jeito nenhum, acabei então fazendo as imagens sem guiagem e com frames mais curtos do que eu pretendia. Para primeira luz da câmera escolhi a Nebulosa de Eta Carina NGC 3372 e segunda imagem escolhi o par M20 e M8, mesmo ainda baixos no horizonte. Foram frames de 120 segundos com o sensor a uma temperatura de -10°C. Nessa primeira captura ainda não fiz o ajuste correto de ganho e off-set por isso surgiu o efeito de blooming nas imagens (os riscos verticais que partem das estrelas mais brilhantes). A sessão de captura teve de ser interrompido, pois era dia de semana e eu precisava trabalhar no dia seguinte bem cedo. Como foi uma noite para primeiros testes, fiquei satisfeito com o resultado.

Eis as imagens:

Foto guardada - aplicadas configuracoes.

Nebulosa de Carina, NGC 3372. Primeira luz da câmera e estreia na captura da emissão H-alpha. Aqui foram 14 frames de 120 segundos cada com temperatura do sensor a -10°C.

Nebulosa NGC 3372 à esquerda e o par de nebulosas M20 (Nebulosa da Lagoa) e M8 (Nebulosa Trífida)

O par de nebulosas M20 (Nebulosa da Lagoa) e M8 (Nebulosa Trífida). 8 frames de 120 segundos a -10°C.

Para captura foi usado o programa EZCAP, para empilhamento e pré-ajustes, o Deep Sky Stacker e para ajustes finais Photoshop. O objetivo seguinte é conseguir capturas de 10 minutos com guiagem e em breve adquirir o filtro OIII para, junto com o H-alpha, compor imagens com cores.

Nova aquisição para astrofotografia de grande campo:

Primeiras impressões

Meu grande sonho desde que comecei a estudar sobre equipamentos para astrofotografia era adquirir um refrator apocromático. Apesar do alto custo, a durabilidade, a baixa necessidade de manutenção, estabilidade da imagem, facilidade de transporte e principalmente, os resultados práticos que observo entre os amadores, me fizeram a muito tempo tomar a decisão de investir nesse tipo de equipamento para astrofotografia.

Fiz a compra na pré-venda o que me garantiu um preço razoável. O valor subiu consideravelmente
depois.

Assim que chegou confesso que esperava uma caixa maior, mas assim que comecei a desembalá-lo essa pequena decepção acabou.  A primeira surpresa boa foi o case: eu já sabia que os Esprit são fornecidos com dois cases diferentes. Uma maleta de alumínio e uma caixa preta mais robusta. Veio a melhor! Excelente! Não se pode esperar algo melhor de uma caixa para armazenar um telescópio. Além da beleza do acabamento ele passa a impressão de robustez e durabilidade. Possui duas fechaduras giratórias com fecho para cadeados, três alças nas laterais para transporte. Todas as arestas e quinas são revestidas com chapas e cantoneiras metálicas. Transportar na mão à longa distância não é tarefa tão fácil pois todo o conjunto deve pesar mais de 20kg!
É possível adaptar rodinhas ou comprar um pequeno carrinho com rodinhas pra facilitar. Ele cabe facilmente no banco traseiro de um carro popular ou no porta malas de um carro hatch.

Ao abrir a primeira coisa que me chamou a atenção surpreendentemente não foi o telescópio em si. Mas o sistema de amortecimento do OTA usando bolas de tênis e bolas de borracha cravadas nas laterais e tampa! Não tinha visto isso em outros reviews na internet e me foi uma surpresa feliz.O OTA vem suspenso nessas bolinhas e aparentemente amortece muito bem dos possíveis impactos no case. É nítida a preocupação do fabricante de que o ota chegue são e salvo às mãos do cliente.

Fui primeiramente desembalando os acessórios. A buscadora de 8X50 vem com diagonal 90° eretora e vem dentro daqueles tradicionais sistemas com três parafusos de fixação em um par de anéis muito usados em telescópio de guiagem. A não ser pela diagonal, o corpo da buscadora é bem parecida (senão idêntica) às buscadoras da Orion (incluido o Miniguide) e as buscadoras da GSO de mesmo tamanho.

A diagonal dielétrica de 2 polegadas possui um acabamento igual ao do focalizador, um preto esmaltado brilhante muito bonito. Tá dó de encher ele de digitais ao pegar com as mãos…rsrs. Um paninho pra limpar é necessária aos mais cuidadosos. Ela possui adaptador 1,25″ como deve ser.

Entre os acessórios vieram aplanador de campo (próprio desse modelo), duas abraçadeiras e um dovetail Losmandy curto, adaptador para o aplanador de campo e adaptador para câmeras Canon (inesperado esse! rsrs). No site da Sky-Watcher entre os itens está uma ocular LET 2″ de 28mm que não veio. Já tinha visto nos fóruns internacionais que alguns acessórios poderiam variar em diferentes países.

Por último foi a vez de retirar o OTA da caixa. Bem pesado, segundo o site da SW 6,3Kg. O telescópio é lindo! Pintura branca (automotiva?) do tubo e focalizador preto esmaltado muito brilhante. O dew shield possui dois parafusos manuais e ele parece comprido o suficiente. Estendido, deixa o telescópio muito imponente. A princípio não gostei do atrito ao estendê-lo. Parece que com o tempo pode deixar marcas no OTA. O focalizador não é só bonito, é robusto e passa a impressão de segurança. Possui uma trava pequena na forma de alavanca e não percebi nenhum “jogo” na mecânica, como deve ser. Possui micro-redução 11:1 e um LPF de 3″ com marcação do extensor do focalizador.

Logo em seguida já quis montar ele em cima da NEQ6. Ficou imponente o conjunto e fácil de manusear depois de balaceado. Rosquear, atarrachar, desatarrachar, prender e soltar, os encaixes são ótimos e fáceis. Retirar a diagonal e substituir pelo adaptador para dslr foi bem intuitivo e rápido.

O Esprit 100ED APO Triplet possui distância focal de 550mm (f/5,5), suficiente pra fotografar M20 completa e talvez até M8 no mesmo campo, ou ainda M42 e M43 juntas com sobra, ou ainda a Galáxia de Andrômeda praticamente inteira usando uma Dslr (no meu caso T3i).

Agora é aguardar uma boa noite pra colocá-lo pra trabalhar.

Eu, Renan e Saulo (e o Ian), com o GSO12″ sobre a NEQ6Pro SyntrekImage. Ok, ok, é muito peso, eu sei… é provável que essa montagem ganhe um Ritchey-Chrétien ainda esse ano (pra desespero da esposa…hehehe).

Em maio de 2010, fiz o primeiro grande investimento de um projeto que ainda levará alguns anos pra ficar pronto. Quando chegou fiz várias fotos do GSO 12″ durante sua montagem, e só agora percebi que não tinha postado elas aqui neste blog. Só que o HD onde ficavam alguns arquivos de mídia queimou a um ano atrás e perdi muitas fotos (fotos familiares inclusive). O que restou do dia da chegada desse telescópio, foi o que encontrei em meu perfil no facebook e posto abaixo:

NEQ6 Pro Syntrek

No dia 8 de dezembro chegou minha última aquisição astronômica, minha NEQ6-Pro Syntrek da SkyWatcher comprada do Armazém do Telescópio. Trata-se de uma montagem equatorial motorizada com sistema de acompanhamento com diversos recursos. Apesar de não possuir um hand control com GO TO ela pode ser comandada por computador e usar esse recurso.

A montagem é uma obra de arte, linda! Acabamento impecável e uma impressão de robustez que impressiona. Fácil de montar porém bem pesada, o melhor é ter um ajudante pra não correr o risco de algum acidente. Depois de montada é bem desajeitada, não tem “pegada” boa pra carregar sozinho.

Além do sistema Syntrek de acompanhamento, a montagem vem com uma luneta polar para alinhamento com asterismos para alinhamento com o polo.

Qual a diferença entre a EQ6-Pro e a NEQ6-Pro?

Pelo que andei lendo na internet a diferença é apenas no fato de que a NEQ6-Pro vem com um dovetail padrão duplo Losmandy/Vixen e uma barra de contrapeso extra (para estender a barra original). A EQ6-Pro foi “discretamente” renomeada como NEQ6-Pro a partir de meados de 2009, sem qualquer alteração na sua especificação geral, o que gerou uma certa confusão de nomes. Alguns dizem que a montagem, com o nome NEQ6 seria destinada a venda somente com um OTA (Explorer 300p da SkyWatcher), mas diversos compradores (inclusive eu) adquiriram a montagem sem OTA.

Qual a diferença entre os sistemas com SynScan GO TO e o Syntrek?

A única diferença entre o Syntrek e o SynScan GO TO é o controlador de mão (hand controller). O controlador de mão do Syntrek não possui GO TO mas, como ambos usam o mesmo motor e placa-mãe, o modelo Syntrek pode ser “atualizado” utilizando o software EQMOD no PC ou Notebook ou ainda usando o controlador V3 SynScan.

Se você sabe algo sobre estas questões, deixe um comentário!

Abaixo, as fotos da chegada e montagem da minha NEQ6-Pro:

Comprei minha primeira câmera ccd própria para astrofotografia. A NexImage Solar System Imager da Celestron. Para completar o conjunto também vieram um redutor focal (NexImage Reducer Lens), e uma Barlow (2x) também da Celestron.

Chegou meu novo telescópio, um Maksutov-Cassegrain 90mm da Skywatcher em montagem EQ1 que pretendo motorizar. Ele foi comprado no Armazém do Telescópio. As fotos abaixo mostram a sequência de montagem assim que chegou em casa. No dia seguinte tentei algumas fotos  terrestres com uma Sony H5 que não é apropriada para fotografias em telescópio, o resultado está no fim o álbum, os alvos estavam a 1,5 Km de distância.

Ele será útil nas observações em que não é necessário grande abertura (observações da Lua e do Sol, muitas vezes também em Júpiter e até mesmo Saturno), isso me economizará esforço e não pecisar montar o Gso 12″ que é um monstro de enorme e pesado. Com uma montagem equatorial mesmo que pequeno, ele receberá uma motorização de eixo simples. E em breve com a compra de uma webcam apropriada, vamos começar na tentativa de fazer astrofotografias.

Laser Verde, Green Laser Pointer, Caneta Verde, Caneta Laser ou apontador laser…

Green Laser Pointer

O Laser

A palavra laser na verdade é uma sigla e quer dizer Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation). O laser possui três características básicas: emite luz monocromática (apenas um comprimento de onda específico), os comprimentos de onda estão em fase (coerência), e a emissão é paralela (raios colimados). Para aprender o básico sobre o funcionamento do laser acesse: http://ciencia.hsw.uol.com.br/laser4.htm

Estrutura interna de um laser vermelho de apresentação de slides e um laser verde para uso noturno.

Com a popularização do uso do laser, várias ferramentas práticas foram criadas usando essa tecnologia. Por exemplo podemos citar a trena laser, o esquadro laser, o nível laser, o apontador de slides para palestras (normalmente é vermelho), etc, estão ainda presentes em nossos leitores de CD e DVD, leitores de códigos de barras, nas fibras ópticas e muito mais.

Pessoa usando o laser junto ao telescópio.

O laser também é usado para a astronomia, principalmente para uso didático. Aponta-se o laser verde para uma direção no céu e ele cria um rastro luminoso bem colimado que pode atingir alguns quilômetros de altura, dando a impressão que ele “toca” a imaginária esfera celeste. Assim pode-se mostrar as posições de planetas, aglomerados, nebulosas, galáxias, desenhos das constelações, etc… Alunos e pessoas leigas em observação noturna acabam muitas vezes se interessando mais no laser do que no que realmente interessa, o céu!

Este rastro luminoso, que lembra aqueles sabres de luz de Guerra nas Estrelas, é observado devido ao um fenômeno chamado efeito Rayleight e pela reflexão em micropartículas e vapor d’águra suspensos no ar.

Por que verde?

Usa-se o laser na cor verde (532 nm) para uso astronômico. Nossos olhos têm sensibilidade diferente para os diferentes comprimentos de onda (diferentes cores). O gráfico abaixo tirado do site da UFSC mostra a sensibilidade do olho humano para as diferentes cores.  Veja o que diz o site da UFSC:

…o olho humano não responde igualmente a todos os comprimentos de onda da faixa visível do espectro luminoso. A máxima sensibilidade encontra-se numa faixa entre o verde e o amarelo ( 550 nm ), sendo bastante baixa para o violeta e o vermelho.

Curva de sensibilidade do olho humano. Crédito: http://www.labeee.ufsc.br

Um laser verde é 60 vezes mais luminoso que um vermelho de mesma potência. Experimente por exemplo, usar aqueles lasers vermelhos de palestras numa observação noturna. Você vai perceber como ele é ruim.

O Laser Verde

Feito normalmente em forma de caneta, é um tubo metálico com estrutura externa emborrachada preta, com botão na lateral. Abre como uma caneta com a rosca no centro do tubo, e o compartimento inferior é o local das duas pilhas palito (AAA). A parte superior é onde está o laser com uma abertura na ponta. Pelo menos o meu veio com um adesivo indicando de onde o laser é emitido e para ter cuidado e não apontar para os olhos, e ainda a especificação de 5mW (potência) e 532nm (comprimento de onda da luz emitida).

O uso do laser

Didático: Em muitos cursos em que já fui convidado a ministrar, montamos o telescópio, binóculos, etc, no pátio de uma escola, para uma sessão de observação do céu. Em outros momentos estamos reunidos para uma observação numa praça da cidade ou em um lugar afastado em que estão presentes pessoas que não conhecem o céu. O uso do laser é impressindível numa ocasião dessas. Você pode apontar as linhas imaginárias das constelações para um grande número de participantes de uma só vez, ou então mostrar a posição de certos objetos celestes, planetas, centro da Galáxia, posição de uma determinada galáxia que não é visível a olho nú, para onde o telescópio está apontando naquele momento, etc.

Imagem de um laser verde igula ao meu.

Como buscadora (finder): Pode-se também acoplar o laser no tubo do telescópio e usá-lo como se fosse uma buscadora. Será mais confortável para apontar os objetos no céu se precisar fazer o tradicional malabarismo e contorcionismo para olhar através da buscadora tradicional (mesmo assim ela ainda é indispensável), principalmente quando um objeto está próximo do zênite.

Auxiliar da buscadora: outro uso é usá-lo para auxiliar na busca com a buscadora. Um amigo aponta o laser para uma região e você aponta o telescópio usando a buscadora.

Qual laser comprar?

Pode-se encontrar a venda diferentes potências de laser: 5mW, 10mW, 20mW, 30mW, 50mW, etc. Acima de 20mW eu não recomendo para uso na astronomia pelo perigo que ele pode representar nas mãos de pessoas pouco conscientes. O meu é um de 5mW que considero fraco para observações em lugares com muita poluição luminosa. Já em lugares bem escuros ele é muito bom e não deixa nada a desejar em relação aos mais fortes, cumprindo bem o seu objetivo que é indicar os astros. Agora cuidado para não exagerar! Um laser com mais de 20mW ao invés de ajudar vai atrapalhar. Transcrevo abaixo o relato em um fórum virtual de astronomia feito por um amigo (que não será identificado):

“O green laser de 5mW VERDADEIRO é mais que suficiente para apontamentos noturnos…
Se eu sei de alguém no grupo local que vai pra noitada de observação com um green laser de mais de 20mW de potência, eu nem saio de casa, um laser dessa potência atrapalha a todos numa observação, o feixe fica brilhante demais e tira a sensibilidade da vista já adaptada…
Se for comprar um laser para usar no céu, compre um de no máximo 15mW… Mais que isso deixa qualquer pessoa irritada!”(S.C.)

Ao ver as conversas na internet e de conhecidos que compraram seus lasers, vi que uma grande parte deles acabou tendo problemas com o aparelho. Alguns já vieram com defeito, outros duraram poucos, etc. No meu caso, o meu laser apresenta mal contato no botão e ele não pode estar frio demais senão não funciona. Então pense bem como vai investir sua grana.

O que tenho visto ultimamente é uma enchorrada de produtos a venda (principalmente no Mercado Livre) com informação de 200mW, 300mW e até 500mW! E dizendo que o uso é pra astronomia, com preços irrisórios. Ou seja, enganação pura. Aumentam falsamente os números  (da potência) para que o comprador tenha a impressão de ter feito um bom negócio. Não caia nessa, você vai ser enganado, e nem vai conseguir saber qual a potência real do seu laser. Veja aqui uma comparação entre laseres de diferentes portências: http://youtu.be/woiTedSKPrk

Cuidado!

O laser (mesmo os mais fracos) jamais deve ser apontado para os olhos de alguém. Existe um grande risco de lesão. Nossa retina é frágil e não se recupera. Além disso, ao receber a luz do laser nos olhos,  haverá uma cegueira momentânea, com recuperação lenta e a pessoa atingida não sentirá dor, achando então que não tem problema, dores de cabeça posteriormente podem acontecer e perda de visão devido morte de células receptoras da retina (retinopatia?).

Durante uma observação noturna, os olhos precisam estar adaptados à escuridão, isso vai ocorrendo naturalmente à medida que as pupilas vão dilatando. Para não prejudicar essa adaptação, não aponte o laser para objetos claros, ou mesmo o chão (piso claro). Cuidado também pra não apontar para o tudo do telescópios que muitas vezes é branco por fora.

Não use o laser em brincadeiras de mal gosto, do tipo apagar as luzes dos postes, apontar para dentro da casa do vizinho, ou coisa do tipo, você pode se dar mal com a autoridade policial.

Como usar corretamente

Laser apontado para o céu.

Use o laser unicamente para o seu fim: apontar para o céu.

Ao apontar para um objeto celeste, não fique com ele ligado por muito tempo (mais de 20 segundos), e deixe descansar por mais alguns segundos, o uso prolongado vai acabar rapidamente com as pilhas e reduzirá muito a vida útil do aparelho.

Nunca, jamais, deixe-o cair no chão ou bater numa parede ou coisa assim, ele é muito frágil e você pode ficar no prejuízo fácil.

Veja o relato de outro usuário em um fórum de astronomia: “As pilhas do meu apontador laser verde de 5mW vazaram dentro dele e o mesmo não funciona mais. Tentei limpar e até abri ele mas não teve jeito.” (M.) Ou seja, não deixe as pilhas dentro do laser quando não estiver usando.

Jamais deixe nas mãos de crianças ou pessoas inconsequentes!

O Mal uso do laser

Frequentemente vemos em jogos de futebol, torcedores apontando laser verde nos olhos dos jogadores com a má intenção de prejudicar sua visão. Na Austrália o uso do laser verde  acima de 1mW é proibido desde julho de 2008 por ser considerado objeto perigoso para a aviação e “arma” proibida. Holanda, Suécia e Reino Unido já possuem regras bem definidas para o uso do laser verde.

Condenações

Nos Estados Unidos há relatos de prisões de pessoas que usavam o laser próximo de aeroportos. Em 02 novembro de 2009, Dana  Christian Welch da Califórnia do Sul foi condenado a 2,5 anos em uma prisão federal após ser declarado culpado de mirar luz laser nos olhos de  pilotos de dois jatos Boeing no Aeroporto John Wayne.  O primeiro avião, estava transportando mais de 180 passageiros e tripulantes.  O segundo, levava mais de 80 pessoas. Felizmente, nada de grave ocorreu.

Veja esse vídeo com a prisão em flagrante de um homem apontando laser para um helicóptero:

Em outubro de 2010, em Cathedral City, Califórnia o jovem de 19 anos Nathan Ramon Wells foi condenado a quinze meses de prisão depois de apontar um laser verde para o cockpit de um helicóptero da polícia local e desviar a atenção do piloto. O laser fez o piloto mudar repentinamente a direção do vôo, atrapalhando uma ação policial. Depois de cumprir quinze meses de prisão, o jovem permanecerá sob vigilância por mais três anos.

Casos como os citados acima tem aumentado absurdamente neste ano em nosso país. No Brasil ainda não há uma legislação específica para regulamentar o uso do laser pointer. Mas como o mal uso é frequente, é possível que em breve os astrônomos, astrônomos amadores e professores acabem sendo prejudicados com a proibição dos mesmos.

Veja esta matéria sobre o uso irresponsável do laser na região do aeroporto de Viracopos em Campinas:

http://www.viracopos.com.br/noticias/aviacao/brincadeira-com-laser-coloca-a-seguranca-de-voos-em-risco

De Julho a Outubro de 2010 já haviam sido registrados 64 casos por pilotos de diversas empresas aéreas em Viracopos.

Veja também matéria exibida pela Globo (Fantástico) sobre os crescentes casos de lasers apontados para aeronaves:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1677458-15605,00-CANETAS+DE+RAIO+LASER+SAO+USADAS+PARA+CEGAR+PILOTOS+DE+AVIAO.html

Londrina

Infelizmente casos assim também já aconteceram aqui em Londrina. Leia abaixo, trecho do alerta de vôo 07/2010 da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil):

Aproximadamente às 01:20 hs UTC do dia 14/01/2010, o piloto de uma empresa aérea regular brasileira operando uma aeronave Airbus A-320 realizava uma aproximação para pouso no Aeroporto de Londrina (SBLO) e informou à TRW-LO que, ao passar a radial 360 º, no arco do procedimento VOR/DME/NDB para a pista 13, teve sua aproximação comprometida devido a um raio laser focado na cabine de comando. De acordo com o piloto, o raio laser tinha origem no solo, numa área descampada, sem iluminação, na radial 360º, a 4 NM da posição da aeronave.
O fato adquire maior gravidade por ter voltado a ocorrer mais quatro vezes, sendo uma em Londrina e outras três no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte – MG (SBBH).

O caso citado do Aeroporto da Pampulha pode ser lido aqui: Polícia acha menino usando laser contra cabine de aviões (Terra). Este link também cita Londrina.

Consciência e boas observações!