Comprada desde novembro, no início do ano chegou finalmente minha tão esperada câmera dedicada, uma QHY9S-M adquirida no representante brasileiro da QHYCCD, a tellescopio.com. Essa câmera permite controlar a temperatura do sensor em até 50 graus abaixo da temperatura ambiente, o que reduz muito o ruído da imagem.

Desde que comecei a fotografar objetos de céu profundo descobri que a poluição luminosa seria um problema sério se eu quisesse melhorar a qualidade das imagens, isso me fez decidir que, assim que pudesse, partiria para imagens de banda estreita. Até então, minhas imagens eram feitas com câmera Dslr não modificada, com um filtro nativo que não deixa captar justamente a melhor emissão para a astrofotografia de nebulosas, a emissão alpha do Hidrogênio (que é o átomo mais abundante no universo). A nova câmera não tem esse problema e melhor, é possível, com o uso de filtros adequados, os chamados filtros da banda estreita, selecionar os comprimentos de onda desejados, rejeitando a luz inconveniente da cidade (comprimentos de onda do mercúrio e do sódio emitidas pelas lâmpadas). Os filtros mais usados para banda estreita são os do Hidrogênio, do Oxigênio e do Enxofre, os quais podem ser processados juntos para formar uma imagem em cores falsas.

O método de enquadramento, captura e foco com a nova câmera são totalmente diferentes e trata-se, portanto, de um novo caminho e aprendizado na astrofotografia. Um setup para esse tipo de fotografia não é barato mas é o único jeito para fazer registros em região urbana com a melhor qualidade possível.

Em fevereiro comprei o filtro h-alpha Baader 7nm de 1.25″ pra usar a câmera com a lente Nikon Nikkor 180mm ED Ai-S. A ideia é comprar, quando eu puder, filtros da Astrodon de 5 ou 3nm, só que os preços são de assustar e vai ficar pra daqui um tempinho ainda. Adquiri também um adaptador da Geoptik que possibilita acoplar a lente fotográfica na ccd e possui rosca para incluir filtros de 1.25″ nele.

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QHY9M+adaptador Geoptik+lente Nikkor 180 ED + anéis ADM. Conjunto montado sobre o telescópio Esprit APO100mm e NEQ6. O filtro h-alpha vai rosqueado no adaptador.

A foto acima mostra o conjunto montado. Com essa configuração consigo uma imagem com campo de aproximadamente 5,7°x 4,3° (caberiam umas 90 luas cheias nesse campo!) e com resolução de cerca de 6″/pixel. Acredito que a lente, pelo menos durante esse ano, será mais usada que o telescópio.

Desde o início do ano o céu não tem colaborado e são raras as noites realmente limpas e com transparência mínima para astrofotografia. A temporada anual para astrofotos aqui para o norte do Paraná vai mais ou menos de abril até setembro ou outubro. Fora desse período, um noite de céu limpo tem de ser aproveitado.

Na noite de 24 para 25 de março finalmente o céu ofereceu excelentes condições e pude enfim montar a parafernália no quintal para uma noite de capturas. Tudo ia bem, montagem ok, câmera e lente ok, mas o PHD Guiding resolveu dar pau e não funcionou de jeito nenhum, acabei então fazendo as imagens sem guiagem e com frames mais curtos do que eu pretendia. Para primeira luz da câmera escolhi a Nebulosa de Eta Carina NGC 3372 e segunda imagem escolhi o par M20 e M8, mesmo ainda baixos no horizonte. Foram frames de 120 segundos com o sensor a uma temperatura de -10°C. Nessa primeira captura ainda não fiz o ajuste correto de ganho e off-set por isso surgiu o efeito de blooming nas imagens (os riscos verticais que partem das estrelas mais brilhantes). A sessão de captura teve de ser interrompido, pois era dia de semana e eu precisava trabalhar no dia seguinte bem cedo. Como foi uma noite para primeiros testes, fiquei satisfeito com o resultado.

Eis as imagens:

Foto guardada - aplicadas configuracoes.

Nebulosa de Carina, NGC 3372. Primeira luz da câmera e estreia na captura da emissão H-alpha. Aqui foram 14 frames de 120 segundos cada com temperatura do sensor a -10°C.

Nebulosa NGC 3372 à esquerda e o par de nebulosas M20 (Nebulosa da Lagoa) e M8 (Nebulosa Trífida)

O par de nebulosas M20 (Nebulosa da Lagoa) e M8 (Nebulosa Trífida). 8 frames de 120 segundos a -10°C.

Para captura foi usado o programa EZCAP, para empilhamento e pré-ajustes, o Deep Sky Stacker e para ajustes finais Photoshop. O objetivo seguinte é conseguir capturas de 10 minutos com guiagem e em breve adquirir o filtro OIII para, junto com o H-alpha, compor imagens com cores.

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