Idealizado e proposto pelo Miguel durante um churrasco aqui em casa há mais de um mês, a I Star Party do GEDAL aconteceu no Hotel Fazenda Luar de Agosto na cidade de Faxinal-Pr, com a presença de 19 adultos e o bebê Ian. Final de férias da escola, passeio em trilhas, cachoeira, observação do céu e amigos! Por que não! Lá fomos nós.

Vista geral do Hotel Fazenda Luar de Agosto.

Vamos ao relatório:

Evento:

Saulo durante a montagem dos equipamentos.

I Astro Festa do Gedal.

Data e Horário:

Dia 23 (sábado) e 24 (domingo) de Julho de 2011. Partimos juntos de Londrina às 14h30 em caravana de 6 carros e chegamos ao local por volta das 16h. Montagem dos equipamentos das 17h às 18h30, início das observações 21h (depois do jantar). Encerramento às 4h da manhã de domingo.

Participantes:

Na foto abaixo, todos os participantes:

Todos os participantes do encontro (da esquerda para a direita):Newton, Ian (bebê), Nívea, Ivan, Dani, Alexander, Sérgio, Bomfim, Lucibel, Renan, Edson, Fran, João Luiz, Esposa do João Luiz, Carlos Renato, Amanda, Saulo, Rose, Nany e Miguel.

Vale ressaltar a participação do amigo Sérgio Carbonar da SPCA de Ponta Grossa.

Local:

"A turma da casa" e a casa.

Hotel Fazenda Luar de Agosto fica na área rural de Faxinal, há exatos 100 Km de Londrina. Alugamos uma casa no local com capacidade para 10 pessoas, os demais participantes alugaram chalés para 2 e 4 pessoas. Montamos os equipamentos no gramado ao lado da casa. Na casa tínhamos energia, fogão, 2 banheiros e a possibilidade de dormir confortavelmente em uma cama e voltar a observar na madrugada.

O local é cercado de morros. Na verdade ele fica dentro de um vale (veja a primeira foto), que nos limita o céu principalmente à Leste e Oeste em cerca de 30 graus, ao Norte em cerca de 15 graus e exatamente ao Sul o vale se abre mostrando o horizonte livre. O gramado com o tempo ficou bem molhado pelo sereno, mas a umidade do sereno foi menor que imaginamos. Maior no início da noite mas diminuiu (!) madrugada a dentro, não sendo necessário o uso do secador nos equipamentos.

Condições atmosféricas e climáticas:

Nos dias anteriores ao evento fiquei bem desanimado com a previsão do tempo, que desmotivava até mesmo a levar os equipamentos (80% de chances de céu encoberto). Achava que íamos só para curtir o Hotel Fazenda, fazer trilhas, bater papo e nada de observação. Na manhã do sábado, céu encoberto em Londrina, depois do almoço o céu abriu com nuvens esparsas, o que dava uma boa esperança de observação. No fim da tarde poucas nuvens e ao anoitecer o céu estava maravilhoso. No início da observação uma analisada geral à olho nú nas constelações, principalmente na faixa da Via-Láctea e a conclusão foi de céu raramente visto por mim até hoje. O provável Sky Glow provocado pela pequena cidade de Faxinal era encoberto por um grande morro à Leste e não era percebido.

Minha câmera não mostra muita coisa, mas aí está Escorpião e Sagitário. Por favor clique para ver.

M7 era majestoso, M6 facilmente encontrado a olho nú, ômega centauri brilhava como uma estrela difusa e bem visível, e M8 e M20 eram facilmente percebíveis. A Via-láctea mostrava claramente suas faixas claras e escuras. A constelação indígena da Ema estava bem visível e linda!

O problema foi depois da meia noite. Pequenas nuvens tênues apareciam quase instantâneamente e também desapareciam muito rápido. O seeing era regular e observar Saturno e Júpiter com aumentos entre 150 e 200 vezes era decepcionante. Mais que isso nem pensar. Em certo momento parecia que ia nublar geral mais de repente o céu abria de novo.

Temperatura no local foi mais agradável que esperado, apesar de no fim da observação, as pernas já “batiam palmas”, nada que outra calça (que eu não coloquei) resolvesse. No início da observação dava pra usar só camiseta, estimo em 18 graus, depois, na madrugada o blusão e o boné eram indispensáveis, estimo em 10 graus no fim da observação.

Equipamentos:

– Newton: GSO 12″, binóculo Octans 8×56, oculares de 9mm, 15mm e 30mm;

– Saulo: refrator Meade 90 mm com Motor Drive (Celestron) em teste, câmera (?) oculares diversas;

– Renan (MCTL): Dois Meade ETX 125 PE (só um foi montado) , um Newt./dob. 200mm (ótica S. Colleti), oculares diversas;

– Miguel: Binóculo Celestron (?);

– Sergio Carbonar: Câmera Nikon D60(?) no tripé com montagem adaptada para guiagem manual;

– João Luiz: Telescópio Greika 114mm(?);

– Renan e Carlos Renato: Os celulares do Renan e do Carlos Renato possuem um programa de identificação de objetos celestes (Sky Map?!) que ajuda muito. Podem ser considerados equipamentos astronômicos e foram importantes durante o evento, principalmente para ajudar a localizar Netuno e Urano;

– Luiz Bomfim: Notebook com o programa Stellarium.

Objetos observados:

Durante a observação a minha intenção era fazer uma varredura completa em Sagitário e observar todos os objetos relevantes até as magnitudes 9-10. A certa altura as nuvens começaram a atrapalhar bastante e não completei os objetos como desejado. Mesmo assim foram 19 alvos encontrados sendo 13 Messier (faltaram apenas 2) e 6 NGC’s. Vamos a eles:

M69, M70, M54, M28, M22, M25, M8, M20, M17, M24, M16, M24, M18, NGC6569, NGC 6522, NGC 6528, NGC 6638, NGC 6642, NGC 6716;

Os demais:

M4, M7 e M6, Ômega Centauri e 47-Tucanae, Alfa do Centauro, Albireo; Planetas: Saturno, Netuno, Urano e Júpiter; NGC 3532 e Nebulosa de Eta Carinae em Carina.

Os que resistiram até o fim da observação: Eu, Miguel, Ivan, Renan e Alecsander.

Mais:

O Saulo ajudou o amigo João Luiz como montar, alinhar e usar o telescópio em montagem equatorial.

A tentativa do Saulo de adaptar os acessórios para fotografia em piggyback ali na hora não deu certo. Eu só tinha minha câmerazinha Sony com 30 segundos no tripé.

O Sérgio fez testes em sua nova (?) plataforma fotográfica manual “movida a feijão” by Diniz.

Eu, o Miguel, o Ivan, o Renan e o Alecsander resistimos até que Júpiter e a Lua surgissem acima do morro no Leste. Aliás, bela visão na ocular, da Lua surgindo por trás das árvores no topo do morro. Pena não ter fotografado. As quatro principais luas de Júpiter estavam bem visíveis, três de um lado e uma do outro, todas próximas do planeta. Devido ao seeing detalhes na superfície de Júpiter eram pouco visíveis.

Só descobri que o Renan tinha levado as oculares UWA 5000 da Meade de 14 e 18 mm no dia seguinte. Seria boa chance de observar com elas no meu telê. Fica pra próxima.

Só com quentão para aguentar o friozinho. Aliás, show de quentão!!! Parabéns pra Nany!!!

Mais sobre a atividade:

O fim de semana não foi só de Astronomia para o Gedal, no dia seguinte (domingo) aproveitamos bem o local durante o dia todo. Pela manhã fizemos trilhas, algumas com trechos bem difíceis. Depois do almoço fomos até o salto São Pedro, o Ivan e o Renan foram os corajosos que desceram o tobogã gigante. Conclusão: Maravilha de lugar! Espero que seja frequente nossa ida até lá.

Família curtindo o passeio.

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