Essa observação foi ideia do Ivan que me mandou um email convidando a estrear meu telescópio fora da cidade. Momento certo, já que eu estava com fim de semana livre de trabalhos musicais até tarde. Segue abaixo um pequeno relatório da observação:

Local: BREU

O grupo GEDAL têm um local definido de encontro para observações noturnas, o BREU. Cerca de 10 km afastado da zona urbana de Londrina na direção Leste, o Breu, apesar de não ser o ideal, possibilita um céu em condições razoáveis para observação. Fica no final do trecho asfaltado da estrada do Limoeiro, numa espécie de retorno (final de linha) de um ônibus de transporte público.

A não ser por uma árvore que nos rouba uns 20% do céu na direção Oeste-Sudoeste, e uma iluminação direta ao longe de um novo condomínio, temos um local com horizonte bem livre. Os lados mais prejudicados são o Oeste (direção de Londrina) e ao Norte em menor escala (direção da cidade de Ibiporã) que mostram um sky glow incômodo. No mais, o Leste e o Sul são ótimos. Com o crescimento da cidade, dentro de alguns anos o GEDAL certamente terá de encontrar outro local para fazer as observações.

Localização do BREU e visão da área urbana de Londrina. Aproximadamente 10 km de distância em linha reta.

Horário da observação:

O Saulo e o Marco (convidado do Ivan) foram os primeiros a chegar por volta das 19h. Eu cheguei 19h50, e aos poucos outros membros do grupo foram chegando. O Miguel (presidente do GEDAL) chegou por volta das 22h e mais gente chegou depois. Encerramos a observação a aproximadamente 1h30 da manhã.

Condições atmosféricas:

O céu esteve o tempo todo livre de nuvens. Incrívelmente limpo. O seeing estava razoável para bom. Como já foi dito, sky glow à Oeste e em menor escala ao Norte, objetos nestas direções não foram observados, a não ser Saturno no fim da observação que já estava baixando a Oeste. A temperatura estava agradável no início da observação (estimo entre 16 e 18 graus), porém com o passar do tempo foi baixando às 22h já estávamos incomodados. Ao fim da observação, estimo uma sensação térmica em torno de 8 graus.

Equipamentos:

Newton: – GSO 305mm dobsoniano; -Binóculos Octans 8×56; – Oculares: Plossl 15mm, 9mm, 32mm(2″) e 6mm (orto);

Saulo: – Refrator (90mm?); – Oculares diversas (entre elas as que testamos no meu telescópio : 17mm, 40mm, barlow 2x, ocular com zoom 7-21 (Orion);

Museu de Ciências da UEL: – Dob. 200mm (ótica S. Colleti); – ETX 125 PE Meade; – Oculares diversas (entre elas uma Wide Angle (2″) 30mm)

Ivan: – Refrator 60mm;

Some-se a estes, alguns acessórios como green laser pointer, a incrível lanterna-laser-verde-vermelho-branco do Saulo (vou comprar uma igual!), minha improvisada lanterna com celofane vermelho, e outros.

Alvos:

Planetas: Saturno.

Aglomerados, Nebulosas e Galáxias: No Sul: Jewel Box, Estrela Eta Carinae, Nebulosa Eta Carina (NGC 3372) (detalhes impressionantes), Nebulosa Key Hole, NGC 4833 (Mosca), NGC 3532 (espetacular na ocular de 40mm do Saulo), Ômega Centauri (fantástica na ocular de 32mm), Pleiades do Sul, NGC 3766, Nebulosa Lambda Centauri, NGC 3293, Aglomerado Omicron Velorum. Em Leão: M95 e M96 no mesmo campo de visão. Galáxia do Sombrero em Virgem (vimos sua faixa escura central com facilidade). No Escorpião, M4, M80, M7 e M6, NGC 6231. Em Sagitário: M8, M20, M17, M22, M25, M23, M28, M24 (na ocular de 40, espetacular!), M69 (gerou dúvida se era o mesmo, confirmado no mapa celeste).

Outros: Como bem lembrado pelo Ivan no comentário, foram observados cerca de 12 meteoros, um deles bem brilhante.

Ficou faltando vários objetos, que seriam observados com a ajuda do mapa celeste, mas o sereno molhando tudo atrapalhou, e com a chegada de mais pessoas depois das 22h acabamos repetindo outros objetos pra que todos vissem os mais impressionantes.

Em Saturno, eu e o Saulo fizemos testes com as oculares, e, das que tínhamos ali, o melhor para Saturno foi uma ocular de 17mm com barlow 2x. Ótimo campo, e ótima nitidez. A faixa escura na superfície do planeta, logo acima do anel era facilmente visível, e só não era visível a divisão de Cassini devido à posição atual do anel em relação à Terra.

O que falta pra melhorar

De minha parte ainda faltam várias coisas. Desde novos equipamentos astronômicos até acessórios que facilitam a ida a campo. Os próximos passos deveriam ser: Um gazebo desmontável (tipo uma grande barraca) pra abrigar aqueles que não querem (inclusive eu) ficar o tempo todo no sereno, e também abrigar a mulherada que acompanham seus maridos nas observações mas não estão lá com aquela empolgação (incluindo a minha, que eu acabo levando quase que na marra para as observações…rsrs). Uma iluminação vermelha mais eficiente para poder enxergar mapas celestes e imagens, e ainda procurar as oculares corretas, isso sem afetar a visão. Um laser pointer que funcione. Um colimador laser. Uma jaqueta daquelas de fotógrafo cheia de bolsos pra colocar as oculares abrigadas e facilmente localizáveis. Uma escadinha pequena para os baixinhos poderem alcançar a ocular e poder ver objetos que estão próximos ao zênite.  Um notebook com grande autonomia de bateria para facilitar a localização, seleção, identificação de objetos celestes através de softwares astronômicos (Stellarium, Cartes Del Ciel, Starry Night, etc). E claro todos os outros equipamentos que acabamos sonhando mas falta a grana pra comprar.

Participantes

Do pessoal mais regular estavam: Miguel, Saulo, eu, Dr. Ivan, Renan, Roberto Gameiro, Nani, Nívea, Cadu (e namorada?), Carlos Renato (e namorada ou esposa?). Meu filho de um ano e 5 meses estreou sua ida, mas ficou dentro do carro pra não passar frio.

Os que resistiram até o fim da observação à 01h30, num frio congelante: Da esq. para a dir. Nani e Miguel, Roberto, Renan, Yara, Douglas, Ivan e eu. Céu do sul ao fundo e avião passando na foto de 20 segundos de exposição (com flash).

Estiveram ainda presentes, a professora da UEL Dra Suely Obara Doi (bio-química, colega de departamento do Ivan) e marido, outros convidados do Ivan: Marco e o pessoal do curso de filosofia da Nova Acrópole: Paulo, Elisângela, Otávio, Giovani, Douglas e Yara, Mário (Pet-Física da UEL) e namorada, Glauco Gameiro (irmão do Roberto), e mais alguns que não lembro o nome. Quase 30 pessoas no total. Pra uma observação marcada de última hora até que tivemos um bom número de participantes.

Senti falta de alguns: Rose, João Paulo, Thaís, Alecsander, Bomfim e família, Sinésio e namorada, Gisele, e demais membros do GEDAL.

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