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O fenômeno da luz cinérea é a possibilidade de se observar a parte escura da Lua iluminada de modo tênue. Este é um fenômeno observável nos dias que precedem e sucedem imediatamente a fase de Lua Nova, após o quarto minguante e antes do quarto crescente.
Este fenômeno se deve ao fato de a Terra refletir uma porcentagem da luz recebida do Sol de volta ao espaço. Esta luz refletida pela Terra acaba por iluminar a parte escura da Lua que está voltada para a Terra.
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A imagem é uma montagem de duas fotos. Uma com exposição de 1/1000 de segundo e outra de 1/3 de segundo. Assim é possível observar a superfície da Lua iluminada pela luz refletida pela Terra (luz cinérea) e ao mesmo tempo a superfície da Lua iluminada diretamente pelo Sol (à direita).
Telescópio Celestron C11 + Câmera Canon 600D + redutor Celestron 6.3.

Apesar da grande poluição luminosa dentro de Londrina-PR, ainda é possível fazer imagens de céu profundo e com grande campo utilizando câmera DSLR. A imagem a seguir é do aglomerado globular Ômega Centauri feita do Observatório Draco Australis usando câmera Canon T3i e lente Nikon Nikkor 180mm ED, sobre uma montagem SkyWatcher Star Adventurer. Foram 25 frames de 20 segundos sem guiagem, ISO 800. Empilhamento no DeepSkyStacker e tratamento no Photoshop CS6.

Aglomerado Globular Ômega Centauri fotografado em grande campo.

Aglomerado Globular Ômega Centauri fotografado em grande campo.

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Omega Centauri ou NGC 5139 é um aglomerado globular situado na constelação do Centauro. Foi descoberto por Edmond Halley em 1677. Omega Centauri tinha sido incluído no catálogo de Ptolomeu 2000 anos atrás como uma estrela. O astrônomo inglês J. W. Herschel foi o primeiro a reconhecer como um aglomerado globular em 1830. Este aglomerado orbita nossa galáxia, a Via Láctea, sendo o maior e mais brilhante dos aglomerados globulares que a orbitam. É um dos poucos que pode ser visto a olho nu. Omega Centauri está a cerca de 15.800 anos-luz da Terra e contém milhões de estrelas. As estrelas de seu centro são tão interligadas entre si e acredita-se estarem apenas 0,1 anos luz umas das outras. Sua idade estimada é de cerca de 12 bilhões de anos.

Especula-se que Omega Centauri possa ser o núcleo remanescente de uma galáxia anã que foi satélite da nossa Via Láctea. Esta galáxia teria um tamanho centenas de vezes superior ao atual aglomerado e foi fragmentada e absorvida pela nossa galáxia. A química e a dinâmica de Omega Centauri são consistentes com essa hipótese.

Relatado em 2008, um artigo no Astrophysical Journal, astrônomos alegaram ter encontrado indícios de um buraco negro de massa intermediária no centro de Omega Centauri. As observações foram feitas com o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório Gemini, em Cerro Pachón, no Chile. O Hubble mostrou como as estrelas estão amontoadas próximo do centro de Omega Centauri. Medindo a velocidade das estrelas rodando perto do centro do aglomerado com o Observatório Gemini, os astrônomos descobriram que as estrelas mais próximas do núcleo estão se movendo mais rapidamente do que as estrelas mais distantes. A medida implica que alguma matéria invisível está no centro puxando as estrelas perto dela. Comparando estes resultados com os modelos, os astrônomos determinaram que a causa mais provável é a atração gravitacional de um maciço, denso objeto. Eles também utilizaram modelos para calcular a massa do buraco negro.

Na imagem, a estrela amarela e mais brilhante é Antares, a estrela mais brilhante da constelação do Escorpião e que fica a 600 anos-luz de nós. O aglomerado de estrelas à esquerda dela é M4 (messier 4) e fica a 7200 anos-luz de distância. Aquisição da imagem: Canon 600D e lente Nikon Nikkor 180mm ED Ai-S. Processamento: DSS e PS.

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Registo do cometa c/2015 V2 Johnson no dia 18/06/17 na constelação de Virgem. Nesse dia o cometa estava com magnitude de 8.35 e a 126,6 milhões de quilômetros da Terra. Foram 14x1minuto de exposição com câmera Canon 600D e Lente Nikon Nikkor 180mm Ed Ai-S. Processamento DSS e PS.

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Planetas Júpiter e Saturno registrados em 28/05/17. Júpiter na constelação de Virgem a uma distância da Terra de 718 milhões de quilômetros e naquele momento mostrava a Grande Mancha Vermelha. Saturno na constelação de Ofiúco a 1,36 bilhão de quilômetros (praticamente o dobro de Júpiter) e mostra seus anéis quase em inclinação máxima (26°). A imagem também mostra a lua galileana Io à esquerda de Júpiter.

Júpiter e Saturno_PS_resize2

Os registros foram feitos do Observatório Draco Australis-Londrina/PR durante o programa Astronomia ao Vivo #137 com telescópio Celestron C11 Nexstar GPS e câmera ZWO ASI120MC (sem uso de lente barlow). Capturados com SharpCap e processado com Registax. Montagem da imagem no PS. c11gps_asi120mc

Em 15/06/17 às 07h05 (horário de Brasília) Saturno atinge a oposição. Isso quer dizer que, do ponto de vista da Terra, enquanto o Sol está de um lado, o planeta dos anéis estará do outro. Ele estará no seu melhor para observação, na constelação Ophiuchus, e ficará visível durante a maior parte da noite, atingindo o seu ponto mais alto no céu em torno da meia-noite, hora local.
Daqui de Londrina-PR, ele ficará visível entre 18h30 (15/06) e 06h00 (16/06) aproximadamente. Alcança seu ponto mais alto no céu às 00h25, 88° acima do horizonte nordeste.

Em cima, foto feita pelo Telescópio Espacial Hubble em Março de 2004. Em baixo, Saturno registrado pela sonda Cassini em Maio de 2004.

Em cima, foto feita pelo Telescópio Espacial Hubble em Março de 2004. Em baixo, Saturno registrado pela sonda Cassini em Maio de 2004.

Saturno oposto ao Sol

Ao mesmo tempo que Saturno passa pela oposição, ele também faz sua máxima aproximação da Terra no ano – denominado perigeu – fazendo com que ele seja visto e registrado mais brilhante e maior.
Saturno orbita o Sol muito mais longe do que a Terra – a uma distância média do Sol de 9,56 vezes a distância da Terra, e por isso o seu tamanho angular não varia muito.
Nesta ocasião, Saturno ficará a uma distância de 9,04 UA, e seu disco medirá 18,4 arcsec de diâmetro, brilhando em magnitude 0,0. Mesmo em sua maior aproximação da Terra, no entanto, não é possível distingui-lo como mais do que um ponto de luz semelhante a uma estrela sem o auxílio de um telescópio.

Os anéis de Saturno

Saturno está inclinado mostrando seu hemisfério norte nesta oposição, e os anéis estão inclinados em um ângulo de 26° em relação à nossa linha de visão, que é quase a inclinação máxima que eles podem ser vistos da Terra. Isso significa que eles serão muito bem apresentados e visíveis ao telescópio.

Simulação de sequência de oposições de 2001 a 2029 mostrando as diferentes inclinações dos anéis. Em 2017 a inclinação atinge o seu máximo de 26°.

Simulação de sequência de oposições de 2001 a 2029 mostrando as diferentes inclinações dos anéis. Em 2017 a inclinação atinge o seu máximo de 26°.

O efeito Seeliger

Por algumas horas, antes e depois do momento exato da oposição, pode ser possível discernir um brilho acentuado dos anéis de Saturno em comparação com o disco do planeta, conhecido como o efeito Seeliger.

Isso ocorre porque os anéis de Saturno são feitos de um mar fino de partículas de gelo que normalmente são iluminadas pelo Sol em um ângulo ligeiramente diferente do nosso ângulo de visão, de modo que vemos algumas partículas iluminadas e algumas que estão na sombra das outras.

Próximo da oposição, no entanto, as partículas de gelo são iluminadas quase que exatamente da mesma direção da qual as vemos, o que significa que muito poucas estão nas sombras.

Efeito Seeliger observado na imagem de Daniel Fischer (fonte: @suthers no twitter).

Efeito Seeliger observado na imagem de Daniel Fischer (fonte: @suthers no twitter).

Transmissão ao Vivo

Se o tempo colaborar e equipe de astrônomos amadores do canal Astronomia ao Vivo fará transmissão ao vivo na noite da oposição de Saturno (de 14 para 15/06/17).

 

Fonte: in-the-sky.org

Essa imagem foi feita em 2015 durante o 8° EBA – Encontro Brasileiro de Astrofotografia em Padre Bernardo-GO. Aqui um reprocessamento e reorientação para que a “América do Norte e o Pelicano” fiquem de pé. Achei esse enquadramento muito bom.
NGC7000 (ou Caldwell 20) em Cygnus, também conhecida como Nebulosa América do Norte, está a aproximadamente 1800 anos-luz de distância de nós. É uma nebulosa de emissão do tipo HII. Uma grande nuvem de gás em evolução onde a formação estelar está constantemente ocorrendo. Ao seu lado direito, separada por uma coluna escura de gás (LDN 935), está IC5070, também conhecida como Nebulosa do Pelicano, que pra mim se parece mesmo é com um Pterossauro (rsrs). As duas nebulosas juntas medem cerca de 50 anos-luz de largura.DSS_PS_filtered_NGC7000_North America Nebula
Ela foi obtida com uma câmera CCD QHY9S-M, uma lente Nikon Nikkor 180mm ED Ai-S, montagem SkyWatcher NEQ6-Pro, e filtro Baader H-alpha. Foram capturados 9 frames de 1200 segundos cada num total de 3h de exposição.

Registros entre nuvens do Eclipse Solar que para o Brasil foi parcial. Em Londrina tivemos o início às 9h55; máximo 11h17; fim às 12h44. Observado daqui, o Sol teve seu disco encoberto em cerca de 30%.

Câmera: Canon T3i; Lente: Nikon Nikkor ED 180mm Ai-S; Captura EOS Utility; Montagem: SkyWatcher Star Adventurer; Filtro: Seymour Solar Filter (emprestado pelo amigo Saulo de Aquino). Local: Observatório Draco Australis Londrina/PR. Em 26/02/2017.

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Acima, detalhe da montagem do filtro para registrar o eclipse. EVA + Clipes metálicos. Os registros foram feitos durante o programa Astronomia ao Vivo #131.

Aqui em casa a família tentou observar, mas só conseguimos por alguns momentos. Abaixo, a garotada fazendo pose pra foto:

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Durante a transmissão do programa Astronomia ao Vivo #129 fiz alguns registros do eclipse lunar penumbral. Esse tipo de eclipse não chama tanto a atenção quanto os parciais ou totais porque não é possível, para o leigo, notar diferenças na luminosidade da superfície da Lua, já que ela passa apenas pela penumbra da sombra da Terra. Um observador mais frequente de nosso satélite natural pode notar uma leve diferença de brilho quando a ela esteve em sua máxima aproximação da umbra da Terra que ocorreu às 22h43 (horário de Brasília).

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A câmera deixa a diferença de contraste e brilho na Lua bem mais evidente. A montagem mostra cinco registros com diferenças de aproximadamente 20 minutos cada. A intenção seria registrar bem mais imagens para uma sequência em vídeo ou gif mas não foi possível devido às nuvens que atrapalharam bastante.

Local: Londrina/PR – Observatório Draco Australis; Montagem: Sky-Watcher Star Adventurer; Lente: Nikkor 180mm ED Ai-S; Câmera: ASI120MC. Captura: SharpCap; Empilhamento: Registax; Mosaico: PS.

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Imagens da Lua do dia 15/06/16 usando um telescópio SCT Celestron C11 GPS e uma câmera ASI120MC.

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